A importância da avaliação contextual dos bailarinos

Hoje eu trago um assunto muito importante! Refere-se ao uso de uma ferramenta que nem todas as escolas conhecem ou utilizam, mas que realmente ela é eficaz e auxilia muito no acompanhamento dos alunos: a anamnese. O tema surgiu em meio a uma conversa com uma professora de ballet que relatou que em uma das escolas onde atuava, existia um ‘relatório do aluno’ feito por uma fisioterapeuta. Este documento estava ligado à obrigatoriedade da academia em ter um atestado médico semestral de cada aluno e junto, a fisioterapeuta realizava uma avaliação. Ela reconhece a importância e relata situações onde este documento foi determinante para algumas ações da escola junto aos pais dos alunos, mas questionava: “podemos realizar uma avaliação psicológica de cada aluno junto com a física, uma vez que as questões emocionais são importantes e afetam o aluno diretamente em suas atividades?”.

Eu particularmente vejo este tema com fundamental para as escolas e academias, principalmente para a aplicação com crianças e adolescentes. Em minha atuação eu sempre aplico justamente por ser uma ferramenta importante para a avaliação contextual do aluno. Vamos entender melhor! Anamnese é um termo muito antigo que teve origem do Grego e que se trata de uma entrevista realizada pelo Psicólogo com a intenção de ser um ponto inicial ao Psicodiagnóstico. No contexto das escolas de dança, não queremos realizar uma avaliação psicológica do aluno, mas, como falei antes, uma avaliação contextual que busca compreender aspectos específicos de cada núcleo – familiar, escolar, individual e educacional.

Uma anamnese é um tipo de entrevista semiestruturada que possui formas e técnicas corretas de serem aplicadas. Ela deve ser aplicada aos alunos (no caso dos mais velhos) e aos pais. O psicólogo da dança é o profissional mais adequado para a realização desta entrevista, pois irá coletar os dados e analisar as informações relevantes envolvendo o ensino, aprendizagem, performance, contexto familiar e social e questões emocionais e cognitivas, gerando uma avaliação completa. Após a elaboração deste material, deve ocorrer a devolutiva aos pais dos alunos, independente da idade. Isso é importante para que os pais tenham conhecimento das questões que envolvem seu filho, para que sejam participantes de todo o processo e para que apoiem ações necessárias. Além disso, esta avaliação deve constar no histórico do aluno e deve ser consultado pelos professores, pela direção e pelo psicólogo da dança sempre que avaliarem como necessário.

O ideal é que a escola possua uma equipe multidisciplinar, médico, fisioterapeuta, psicólogo e até mesmo um nutricionista, que possam atuar em conjunto diretamente com os alunos. Mas não pensem que isso é utopia ou que existe somente em companhias profissionais ou escolas como o Bolshoi. Caso o custo da contratação direta desta equipe não se adeque ao orçamento da escola é possível conseguir por meio de parcerias com universidades, com o auxílio de professores ou diretores com formações nestas áreas ou parcerias com convênios médicos ou clínicas multidisciplinares. Eu conheço e acompanho várias escolas em diferentes estados do Brasil que conseguem oferecer este acompanhamento com excelentes resultados. Mesmo assim, na impossibilidade de uma equipe completa, busque um psicólogo da dança para auxiliar neste processo imprescindível para compreender o bailarino como um ser biopsicossocial e garantir seu rendimento e bem estar, ou seja, sua saúde integral.

Cintia Diniz - Psicóloga, Pesquisadora, Professora Registrada pela Royal Academy of Dance, Member of the International Dance Council e Consultora de escolas de ballet atuando em todo o Brasil. fb.com/decorpoementecomadanca / @diniz.cintia / cintiadiniz@hotmail.com / +55 11 9.7685-4398 (WhatsApp)