Maria Cristina Lopes. Sou formada pela PUC-Rio e mestre pela Universidade de Coimbra. Trabalho com a dança desde 2013 e desenvolvi o 1º curso de psicologia da dança do Brasil em 2016. Sou defensora da área de psicologia da dança, atendo bailarinos, ofereço consultoria para escolas e companhias e capacito professores e psicólogos nesta área promissora.

Contatos: mariacristinalopes@gmail.com | 21 99305 3432 

A psicologia do rendimento, que visa garantir bem estar, satisfação pessoal e otimização do desempenho no esporte, coloca num mesmo patamar de importância o bem estar psicológico, a alimentação, os treinos físicos e os treinos técnicos para o desenvolvimento do atleta ou dançarino (Fabiani, 2009). Levando em conta que as lesões são fator preponderante em afastamentos, desistências, carreiras curtas, baixas performances e problemas de saúde, se faz extremamente necessária a existência no universo geral da dança de equipes multidisciplinares para agir no contexto dessas situações - especialmente que integrem psicólogos -, a fim de mitigar o impacto físico e emocional das lesões no indivíduo. Hoje, na maior parte das instituições, cabe ao professor um acúmulo das funções de uma equipe - que na maior parte das vezes, ele não está apto tecnicamente a cumprir. 

A dor é uma ameaça à competência para dançar e à autonomia do dançarino, e a falta de auxílio adequado significa que ele sofre sem suporte com o medo de se lesionar novamente ou de ser percebido como frágil e não mais ser escolhido para papéis de destaque após lesões. É preciso uma mudança estrutural, para que recuperações incipientes e o próprio peso do estresse não se tornem fatores determinantes de um ciclo vicioso de machucados, dores e sonhos perdidos.


REFERÊNCIAS:

Almeida, D. D. D., & Flores-Pereira, M. T. (2013). As corporalidades do trabalho bailarino: Entre a exigência extrema e o dançar com a alma. Revista de administração contemporânea. Rio de Janeiro. 17 (6), p. 720-738.

Branco, R. C. C. (2011). Doenças Profissionais: o caso dos bailarinos clássicos. (Tese de doutorado) Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Lisboa, Portugal.

da Silva, AMB, & Enumo, SRF (2016). Descrição e análise de uma intervenção psicológica com o software IRAMUTEQ. Tópicos em psicologia, 25 (2), 577-593.

Lopes, M.C. (2019). Curso psicologia da dança: temas e perspectivas. Editora Garcia. Juíz de Fora, MG

Weiss, M. R. (2003). Psychological aspects of sport-injury rehabilitation: A developmental perspective. Journal of Athletic Training, 38(2), 172.

​ 

COMO FAZER REFERÊNCIA A ESTE ARTIGO:


Lopes, M. C. (2019, dezembro 16). Lidando com a dor na dança [Blog]. Recuperado de: http://www.mariacristinalopes.com/lidando-com-a-dor-na-dan-a.html

O “dançar com a alma” é um momento de fluidez e expressividade buscado por todos os artistas da dança. Mas essa experiência pode ser difícil de ser alcançada devido à própria rotina da profissão: ser dançarino é uma fonte constante de dores físicas e emocionais que limitam o desempenho e a conexão dos indivíduos com a atividade à qual dedicam suas vidas.

Segundo Branco (2011), o ballet, por exemplo, é uma atividade que, por suas características intrínsecas de exigência e rápido desgaste, figura no alto do ranking das atividades físicas de risco. O cansaço, a organização do trabalho (alternância de períodos de pouca e intensa atividade), coreografias complexas, superfícies de palco inadequadas, sapatilhas de ponta, hiperextensões, saltos, quedas, colisões, overuse (repetição de movimentos) e estresse são alguns dos riscos aos quais os profissionais estão expostos todos os dias. E o resultado disso muitas vezes se evidencia nas frequentes lesões. 


São numerosos os relatos de dançarinos que convivem com as dores e lesões no seu dia a dia. As lesões em si já são responsáveis por respostas psicológicas intensas, como perda de apetite, perturbação do sono, fadiga e depressão (Weiss, 2003). Mas quando se analisa as estratégias de dançarinos para lidar com as dores, as consequências se mostram mais preocupantes: vão desde ignorá-las através de distrações - o que ocasiona novas lesões, já que o problema não é tratado e nem resolvido - (da Silva & Emuno, 2016) até o abuso de remédios para seguir praticando a profissão (Branco, 2011).

mulher de preto dançando feliz

Podemos dizer, então, que as lesões são uma séria ameaça não só à saúde física como à saúde psicológica do indivíduo. A maneira particular como cada sujeito lida com a dor merece atenção, mas devemos pontuar que o problema sai de uma perspectiva subjetiva e entra numa questão social quando jogamos luz ao fato de que as exigências e padrões físicos e psicológicos da dança são altos, e o dançarino tende a seguir esses padrões. 

A companhia exige uma excelência e produção máxima com carga horária alta e exigências físicas, e o bailarino corresponde exigindo, por sua vez, mais do que o seu corpo pode corresponder (Lopes, 2019).

Nesse contexto, segundo Almeida e Flores-Pereira (2013), o bailarino pode ser visto não como pessoa, mas como um objeto que deve ser moldado e adaptado às expectativas da dança e da companhia, além de ser constante, estável e resistir às pressões. Como fica a relação desse ser humano com seu próprio corpo, caracterizada pela violência, brutalidade, riscos, machucados, e sofrimento?

Gabriela Romão. Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), é especializada em escrita científica. Estuda dança desde 2016, com ênfase em modalidades de dança de salão.

Contatos: gabi.r.romao@gmail.com | @romaogabriela

Lidando com a dor na dança

CONTEÚDO VIP

mulher de preto dançando feliz

Inscreva-se e receba o e-book

"Vínculo em aulas de dança"!