Cintia Diniz - Psicóloga, Pesquisadora, Professora Registrada pela Royal Academy of Dance, Member of the International Dance Council e Consultora de escolas de ballet atuando em todo o Brasil. fb.com/decorpoementecomadanca / @diniz.cintia / cintiadiniz@hotmail.com / +55 11 9.7685-4398 (WhatsApp)

Quanto menor a criança, menor seu entendimento de propriedade, por isso é necessário ajudar a desenvolver este entendimento sem recriminar. Se algo sumir na sala pergunte às crianças se alguém o pegou e peça para devolver, mas sem acusar ou demonstrar alteração no tom de voz. Muitas crianças pegam objetos de outros colegas com a intenção de conhecer, mas não devolvem devido à recriminação desproporcional que recebem. Por vezes, atribuímos aos pais a dificuldade de dar limites aos alunos, devido à faltas em relação à educação, mas precisamos pensar no aluno de outra maneira. Ao invés de dividirmos a educação do aluno em várias partes precisamos pensar nela de forma integral. O professor não deve buscar culpados, mas soluções! Isso só acontece por meio de parceria entre a escola, os responsáveis e os professores.

Voltando a falar sobre valores e limites, podemos destacar alguns métodos de aplicação nas escolas: troca com os pais; ser impositivo em sala em determinados momentos; punições; interação entre os alunos para a aprendizagem; discussão de valores e regras; combinações para a elaboração de regras em conjunto com os alunos; buscar apoio em profissionais e livros para embasar a prática profissional. Este último tópico é exatamente o trabalho que estamos desenvolvendo aqui!

Quero falar rapidamente sobre a questão da punição que citei agora. Parece uma palavra forte e agressiva, mas não é! De forma bem simples, pensem na punição como uma forma de privar a criança de algo que ela goste, pode ser deixa-la somente observando um exercício, sem participar com as colegas; ou não poder escolher o jogo da vez; não ficar com um objeto de preferência; ou não ser a ajudante da professora na aula. A criança irá associar o comportamento inadequado à privação de algo bom e a tendência é desestimular a repetição destes maus comportamentos. Lembre-se sempre que a idade é apenas uma estimativa e que cada criança responderá de forma diferente aos estímulos, regras e limites, o que não significa que as ações de vocês não foram assertivas. Eu costumo dizer que não existe “receita de bolo”, existem exemplos de técnicas e ações que podemos aplicar em sala de aula, mas cada situação é uma e às vezes um comportamento que usamos com uma criança, terá resultado totalmente diferente quando aplicado em outra!

No artigo anterior falamos sobre as características da faixa etária de alunas de baby class, comportamentos mais comuns, estímulos ao desenvolvimento e sobre limites, regras e valores. A partir deste ponto, vamos retomar o assunto!

Vale lembrar que estamos lidando com crianças de até cinco anos e que nesta faixa de idade elas ainda não têm capacidade cognitiva para autorreflexão. Dessa forma, os valores e regras devem ser passados do professor para o aluno, por meio de palavras, regras claras e histórias que exemplifiquem a importância daquele valor, por exemplo, uma lista fixa na parede que vocês leem sempre antes de iniciar a aula para que todos se recordem, assim, caso necessário, você poderá retomar as regras de forma mais rápida.

Precisamos compreender que sempre a melhor repreensão é a individual. Ou seja, repreender um aluno na frente da turma reforça sentimentos de inferioridade. Uma estratégia que podem utilizar é chamar a criança para perto de você, ficar da mesma altura que ela, falar baixo para que só ela ouça (podem ficar afastados do grupo) e falar com tom de voz suave, firme e sempre olhando nos seus olhos. Caso a criança fuja com o olhar, chame a atenção dela para que volte a olhar para você e depois continue a sua orientação. Vai demorar um pouco mais para que a criança tenha capacidade cognitiva para a autorreflexão como coloquei antes, mesmo assim, já cabe estimular o aluno a refletir sobre suas ações.

Comportamentos Inadequados em Sala de Aula - Parte 2