Estes sintomas são claros. E não podem ser tratados com dieta e exercício físico. É uma questão neuropsicológica. Talvez você se pergunte justamente isso: por que nenhuma dieta dá certo comigo? Por que eu não consigo emagrecer? Por que comer diferente é tão difícil para mim? Será que eu tenho um problema incurável?

Minha resposta: para você é tão difícil por que você não tratou a questão principal – que é perfeitamente curável com o tratamento correto: o psicológico. Para de tentar tratar o corpo quando é a mente e o cérebro que precisam de cuidados. A ciência tem nos mostrado cada vez mais que para o emagrecimento ser definitivo é necessário um tratamento psicológico. Essa é uma ideia nova e revolucionária. Afinal, o que estamos dizendo é: trate a mente antes de tratar o corpo.

A boa notícia: eu diminuí muito a minha dependência pelo café. Ajustei minha vida para que eu pudesse ter a rotina que eu queria. Ainda bebo café – com frequência bem menor que 1 por dia e sem dependência. Com a comida não será diferente com a ajuda de um psicólogo.

Maria Cristina Lopes. Psicóloga do emagrecimento. Ajuda pessoas a utilizar suas próprias capacidades para aumentar seu bem estar, se desenvolver, atingir objetivos e ter mais qualidade de vida! ​Alcança mais de 30 mil pessoas nas redes sociais com conteúdos e postagens motivadoras. 

Quando não existe uma causa orgânica para o ganho de peso existe uma causa psicológica. Podemos incluir aí: causas comportamentais, neuropsicológicas e emocionais. Nós aprendemos a depender da comida assim como eu aprendi a depender do café que disfarçava meu cansaço e me mantinha acesa. Mas a conta dessa dependência veio: mais cansaço e estresse que antes. Não é diferente com a comida: buscamos suprir uma falta de prazer, esconder tédio, tristeza, estresse.

Mas a conta desta situação também chega: a comida não consegue manter este papel. No final das contas estamos dependentes da comida. Sempre que ficamos estressados pensamos em um brigadeiro. Nos livramos de outras estratégias de enfrentamento de nossos problemas, como conversar com amigos, família, buscar uma terapia, buscar momentos prazerosos e a comida vira uma prisão. Assim percebemos também estamos lotados de culpa por estarmos tratando nosso corpo desta forma.

A verdade é simples: a comida vicia. A comida também produz efeitos fisiológicos e neuropsicológicos associados ao prazer. E isso produz sintomas comportamentais, emocionais e cognitivos. Se você tem este vício provavelmente sua mente está constantemente voltada para a comida. Você pensa em comida frequentemente, mesmo sem fome.

Compulsão por doces é forte como vício

Antes de adentrarmos na compulsão por doces gostaria de contar um breve relato. Desde que me entendo por gente moro longe de qualquer instituição da qual faço parte (seja escola, universidade, trabalho, família, etc.). Assim que completei 13 anos fui estudar a uma hora de carro da minha casa. O que me fez precisar acordar às 5 da manhã todos os dias da semana (e muitos sábados também).


Talvez você seja como eu, talvez não. Mas depois que acordo não consigo voltar a dormir com facilidade. O que me fazia invejar muitas pessoas na condução que encostavam a cabeça e já caiam no sono em direção a escola. Pois bem, sempre foi assim. Mas esta situação mudou pouco depois quando fui morar sozinha – aos meus 17 anos de idade. Também precisava acordar bem cedo – desta vez estava a 2 horas com trânsito da minha universidade onde cursei psicologia. Obviamente ficava extremamente cansada. 


E foi assim que comecei a beber café com a única finalidade de me despertar. Após alguns períodos fui fazer estágios em diversas áreas da psicologia e comecei a fazer trabalho voluntário em uma comunidade do Rio de Janeiro que, pasmem, também ficava longe da minha casa – minha necessidade e desculpas para ingerir mais e mais café.

Após alguns anos a base de café percebia muitas mudanças quando ingeria uma quantidade maior: ficava mais estressada e cansada. O que me faz querer parar de tomar café – ou ao menos diminuir. Porém, assim que decidi parar percebi o quanto aquilo seria uma luta. Meu cansaço pela manhã fazia com que meu pensamento voasse para o café e ficava irritada por não poder tomar (o que não faz sentido algum, pois eu mesma que decidi parar!). Foi assim: meu vício pelo café tomou controle do meu pensamento e da minha emoção. O que não foi diferente com meu comportamento. Vez ou outra me pegava pedindo um copo de café. Por mais que eu dissesse a mim mesma que aquilo me faria mal. 

Pois bem, mas o que essa história toda tem a ver com a compulsão por doces?

Absolutamente: tudo!