Maria Cristina Lopes Quando a mente está leve a dança flui Psicologia da dança

REFERÊNCIAS:

Gondim et al. (2015). Evidências de validação de uma medida de características pessoais de regulação das emoções. Psicologia: Reflexão e Crítica, 28(4), 659-667.

Lopes, M.C. (2019). Curso psicologia da dança: temas e perspectivas. Editora Garcia. Juíz de Fora, MG.


Lopes, M. C; Souza, I. (2020). O bailarino completo. São Paulo. E-book.

COMO FAZER REFERÊNCIA A ESTE ARTIGO: 

Lopes, M. C. (2020, dezembro 01) Autoconfiança e regulação da emoções: estratégias de cuidado mental para melhorar a sua dança [Blog]. Recuperado de: https://www.mariacristinalopes.com/autoconfian-a-e-regula--o-da-emo--es--estrat-gias-de-cuidado-mental-para-melhorar-a-sua-dan-a.html

A princípio, o bom bailarino é aquele que possui movimentos belos e precisos. Mas dançar está tanto no corpo quanto na mente. Diversos são os fatores psicológicos que podem influenciar o desempenho de um bailarino, seja em uma apresentação específica, seja por um determinado período de tempo. Por isso, estar atento ao cuidado mental é fundamental para não ser um bom bailarino apenas, mas sim um bailarino completo.

O primeiro ponto a que um bom dançarino deve se atentar é a autoconfiança. A dança tem uma característica intrínseca de trazer desafios diários à rotina do indivíduo, e pode tornar-se difícil lidar com eles se o bailarino tiver uma visão negativa da sua dança e de si mesmo. Já são conhecidos os efeitos que pensamentos disfuncionais negativos podem provocar na performance, e desvencilhar-se deles é um passo chave para que o dançarino confie na sua própria capacidade de superar os obstáculos e alcançar seus objetivos.

Bailarinos com baixa autoconfiança têm pensamentos de incompetência e inadequação, que culminam em um sentimento de incapacidade de encarar tarefas e desafios. É como se fosse uma cortina, que impede a pessoa de ver as possibilidades positivas, de êxito, em seu futuro. Neste sentido, qual é o impacto real de se tornar autoconfiante? 


No geral, bailarinos confiantes ficam muito à vontade em condições desafiadoras, como em competições, por exemplo, em que tendem a se sentir muito menos ansiosos que bailarinos não autoconfiantes. Eles também são mais comprometidos com a dança, administram melhor suas emoções e têm mais experiências de flow, ou estado de fluxo, em que o indivíduo fica totalmente imerso na atividade que está realizando. 

Isso acontece porque eles concentram-se em seus pontos fortes e nas tarefas com maior chance de sucesso. Além disso, costumam ter menos tendências perfeccionistas, evocam lembranças positivas, encontram motivações para tarefas, desenvolvem objetivos de curto e médio prazo, e, sobretudo, buscam por fontes de confiança, como o professor ou o autoconhecimento. 


>> Leia também: Apresentações: causas e soluções para a ansiedade do palco na dança

Tabela 2. Estratégias boas e disfuncionais para lidar com emoções negativas.

Autoconfiança e regulação da emoções: estratégias de cuidado mental para melhorar a sua dança

Uma boa forma imediata de lidar com a baixa autoconfiança, em busca de bons resultados de performance e cuidado mental, pode ser identificar e escrever as tarefas que você se sentiu confiante para realizar nos últimos tempos. Ao lado, você pode anotar uma autodeclaração positiva, como por exemplo: “sou bom nessa tarefa”.

– Regulação das emoções

Regular as emoções significa encontrar estratégias para manter, aumentar ou diminuir os componentes de uma resposta emocional, sejam eles sentimentais, comportamentais ou fisiológicas (como suar ou chorar, por exemplo). Temos dois caminhos para lidar com nossas emoções: diminuir os efeitos indesejáveis das emoções negativas ou aumentar os efeitos desejáveis das emoções positivas. Qualquer caminho na contramão em uma dessas vias pode desequilibrar o cuidado mental do dançarino e prejudicar sua performance.

As estratégias para regular as emoções diante de determinadas situações são chamadas de coping. Confira, nas tabelas a seguir, estratégias que potencializam e que minimizam as emoções, tanto positivas quanto negativas.

Tabela 1. Estratégias boas e disfuncionais para lidar com emoções positivas.

O bailarino deve estar atento às diversas situações do cotidiano e a forma como reage a elas. Dessa forma, pode agir ativamente para diminuir os efeitos das emoções negativas e para explorar melhor as emoções positivas, de forma a regular as emoções de maneira mais saudável e benéfica, seja considerando o cuidado mental, seja considerando seus efeitos para a performance.

>> Leia também: A mente que dança: como os pensamentos podem influenciar na performance de dançarinos

Maria Cristina Lopes. Sou formada pela PUC-Rio e mestre pela Universidade de Coimbra. Trabalho com a dança desde 2013 e desenvolvi o 1º curso de psicologia da dança do Brasil em 2016. Sou defensora da área de psicologia da dança, atendo bailarinos, ofereço consultoria para escolas e companhias e capacito professores e psicólogos nesta área promissora.

Contatos: mariacristinalopes@gmail.com | 21 99305 3432 

Gabriela Romão. Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), é especializada em escrita científica. Estuda dança desde 2016, com ênfase em modalidades de dança de salão.

Contatos: gabi.r.romao@gmail.com | @romaogabriela