Maria Cristina Lopes Quando a mente está leve a dança flui Psicologia da dança

3 - Pessoas, pessoas e pessoas

Não são todas as atividades físicas que proporcionam a socialização, um dos maiores benefícios da dança. Os ambientes em que se desenvolve a dança, tanto aulas quanto eventos festivos como apresentações, festas e bailes, promovem a interação de pessoas com objetivos e interesses comuns. 

Um relato escrito por Alencastro e Pinto (2014) a respeito de mulheres com mais de 40 anos que praticam ballet clássico mostra que compor um grupo é um dos pontos buscados por adultos na dança: “[...] quando vemos sua atuação em sala percebemos uma interação, vista como acima da média em suas relações, preocupam-se que todas do grupo consigam acompanhar os exercícios propostos, ajudam-se em tempos musicais e outra situações de sala, soma-se a isso interesses em suas atividades exteriores, como família, trabalho e amigos”. 

4 - Prevenir e combater problemas como estresse, ansiedade e depressão

Como qualquer prática física, a dança aumenta os níveis de endorfina (conhecida como o hormônio do bem estar) no organismo. Portanto, naturalmente funciona como um antídoto contra o estresse. Para Alpert (2011), a imersão em coreografias pode funcionar como um “tiro mágico” contra a tensão. Outros aspectos, como o aumento do suprimento de sangue no cérebro, a “válvula de escape” para expressões e emoções, a permissão à criatividade e a própria socialização têm um papel crucial na diminuição do estresse, a depressão e da solidão. 

Esses são benefícios intrínsecos a todas as danças, mas existem práticas focadas especificamente no tratamento de problemas de saúde, conhecidas como terapias de dança. Algumas delas são baseadas na conexão entre a personalidade e o modo de se mover, e apostam em intervenções corporais que podem afetar positivamente a saúde física, intelectual e emocional do indivíduo, bastante poderosas da administração do estresse e prevenção de doenças físicas e mentais.


>> Leia também: Saiba como a dança pode ajudar a prevenir e combater a ansiedade

Maria Cristina Lopes. Sou formada pela PUC-Rio e mestre pela Universidade de Coimbra. Trabalho com a dança desde 2013 e desenvolvi o 1º curso de psicologia da dança do Brasil em 2016. Sou defensora da área de psicologia da dança, atendo bailarinos, ofereço consultoria para escolas e companhias e capacito professores e psicólogos nesta área promissora.

Contatos: mariacristinalopes@gmail.com | 21 99305 3432 

5 - Emagrecimento e saúde cardiovascular

Em geral, dançar queima menos calorias do que outros exercícios aeróbicos, mas a diversão, a expressão criativa e a socialização tornam esse tipo de atividade muito mais atrativa do que outras. Além disso, a quantidade de calorias queimadas pode variar muito em função da velocidade e intensidade da modalidade escolhida.

Segundo Alpert (2011), estudos mostram que uma pessoa pode perder de cinco a dez calorias por minuto dançando, dependendo da sua altura, peso, idade e condicionamento físico - um dançarino com 70 kg pode queimar em média 109 calorias a cada 10 ou 15 minutos, sendo que esse número pode subir ou descer dependendo da modalidade. Ballet, danças modernas como twist e jazz e danças de salão mais rápidas queimam mais do que danças de salão lentas, por exemplo. 

A dança é uma das artes mais fundamentais da sociedade, envolvendo diretamente a expressão através dos movimentos corporais. Mas só da metade do século XX para cá, pesquisadores começaram a estudar e mensurar os benefícios da dança para a saúde. Do corpo à mente, a dança, aliada à música, pode exercer um efeito terapêutico sob diversas perspectivas - e ainda proporcionar diversão ao praticante, diminuindo os riscos de ser abandonada como prática física com o tempo. 

Abaixo, conheça cinco vantagens que a dança pode proporcionar a seus praticantes. 


1 - Melhorar as habilidades corporais...

Segundo Alpert (2011), praticar a dança frequentemente pode resultar em uma melhora geral das habilidades corporais do indivíduo: aumento da flexibilidade, da força e do tônus muscular, além de uma maior resistência, equilíbrio e consciência espacial. 

Como exemplo, só o famoso “dois pra lá, dois pra cá”, presente em muitas danças, já pode ajudar a melhorar a resistência de muitos ossos como fêmur, tíbia e fíbula. Os repetitivos movimentos de quadril e rebolados podem fortalecer os músculos da lombar, as juntas do quadril e os ligamentos, fornecendo tônus muscular e melhorando a postura, prevenindo problemas nas costas.

2… - ...e do seu cérebro

A dança ajuda o cérebro a fazer novas conexões e a trabalhar mais rápido (Alpert, 2011), provocando efeitos positivos na memória, na habilidade multitarefa e na atenção. No aprendizado de sequências e coreografias, por exemplo, não só os alunos devem memorizar passos, como aprendê-los a executar na música, em consonância com os colegas e expressando emoções - ficando evidente o trabalho que ajuda a desenvolver as habilidades mencionadas.

Mas o que pouca gente sabe é que outro fator presente na dança pode ser fundamental para isso: a música. O córtex pré-frontal é considerado uma região que funciona como um centro de processamento musical, e é a mesma área que envolve prestar atenção, fazer previsões e atualizar os eventos na memória - o que sugere uma relação direta com a melhora dessas capacidades.


>> Leia também: O bailarino doente: a relação com o peso, a imagem e a comida.

REFERÊNCIAS:


Alpert, A. (2011). The Health Benefits of Dance. Home Health Care Manegement & Practice, 23 (2), 155-157.

Alencastro, I. and Pinto, A. (2014). Sensações e motivações: o Ballet Clássico como prática corporal na idade adulta. In: 24 Seminário Nacional de Arte e Educação. Montenegro: Editora da Fundarte, pp.421-423.


COMO FAZER REFERÊNCIA A ESTE ARTIGO:


Lopes, M. C. (2020, abril 02). Dançando na idade adulta: 5 vantagens para o corpo e a mente [Blog]. Recuperado de: https://www.mariacristinalopes.com/dan-ando-na-idade-adulta--5-vantagens-para-o-corpo-e-a-mente.html

Gabriela Romão. Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), é especializada em escrita científica. Estuda dança desde 2016, com ênfase em modalidades de dança de salão.

Contatos: gabi.r.romao@gmail.com | @romaogabriela

Dançando na idade adulta: 5 vantagens para o corpo e a mente