Dificuldades no ensino da dança: estratégias e formações

Ninguém nasce sabendo. O nosso conhecimento é adquirido. Primeiramente através de familiares enquanto ainda somos bebês. A partir daí, sofreremos influências dos nossos pares/amigos e da sociedade uma vez que nos tornamos adultos. Quando estamos falando de ensino, o que engloba a presença de um professor, não se trata apenas da influência, mas de técnicas de ensino. Um professor precisará utilizar diferentes técnicas de ensino uma vez que o objetivo é a aprendizagem efetiva. Ou seja, é necessário encontrar um modelo de ensino que seja eficiente para o aluno e para o professor.

Levando esse fator em consideração, é possível deduzir que apenas saber a teoria não é o suficiente para ser um bom professor. É preciso que ele entenda, com clareza, as necessidades do aluno e os métodos de ensino que serão realmente eficientes. Logo, o ato de ensinar vai muito além de apenas despejar informações. 


Essas estratégias são de grande importância para qualquer professor, mas elas deverão ser ainda mais presentes no ensino na dança. A arte trata mais do que o embasamento teórico, e saber dançar é diferente de ser um bom bailarino. 

É preciso levar em consideração também que cada aluno é diferente e apresenta diferentes respostas aos métodos de ensino. Enquanto uns podem sentir maior facilidade em replicar movimentos, outros podem ter maior dificuldade. Caberá então ao professor estimular a aprendizagem, de forma a encorajar os alunos.


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Algumas teorias podem ajudar o professor de dança e elaborar melhores estratégias de ensino. Uma destas teorias foi elaborada por Vygotsky desenvolveu o que é chamado de ZDP, a Zona de Desenvolvimento Proximal. Esta zona se refere a zona na qual o aluno consegue, com assistência, realizar tarefas ou exercícios. Ou seja, é a zona em que ainda não há a aprendizagem efetiva (na qual o aluno consegue realizar o movimento e a técnica sem qualquer ajuda).

Saber identificar o ZDP de cada aluno ajudará a decidir quais estratégias de ensino da dança podem ser mais eficientes. O objetivo será a independência do aluno. Ou seja, que ele ultrapasse a sua ZDP, e consiga realizar suas tarefas sem o auxílio de um professor. Para alcançar este objetivo, o professor poderá utilizar uma série de formulas de aprendizado. Estratégias de aprendizado da dança

Como falamos no tópico anterior, o ato de ensinar vai além de apenas entender a teoria sobre determinado assunto. Uma vez que cada aluno poderá precisar de um nível de assistência maior para realizar as tarefas, o professor precisa saber diferentes métodos de ensino. Dessa forma, eles poderão ser aplicados em conjunto ou não. Com o objetivo de levar o aluno à independência.


Aprendizagem significativa

Outro modelo de ensino é chamado de aprendizagem significativa. O teórico David Ausubel defende que o processo de aprendizagem engloba não apenas a informação nova que será apresentada ao aluno, mas também o conhecimento que ele já possuía previamente.

Dessa forma, o professor em questão deveria levar o que é chamado de estrutura cognitiva em consideração na hora da aprendizagem. O objetivo é relacionar o conhecimento previamente adquirido com o novo, através do ensino.

O objetivo deste modelo de aprendizagem se torna então, contextualizar a nova informação com o conhecimento que o aluno já possui. De forma que será muito mais fácil para ele entender o que está sendo passado.

Modelo Comportamental

Já o modelo comportamental utiliza técnicas básicas de reforço e punição. No caso da dança, o reforço poderá vir em forma de elogio ou a punição pode vir em forma de correção. É preciso levar em consideração também, em um ambiente de grupo, que este modelo pode acarretar competitividade entre os alunos.

É importante também lembrar também que neste caso, a recompensa é muito mais eficiente do que a punição. Pois ela incentiva o aluno a continuar o seu “bom comportamento”.

Observação

Outro modelo se chama aprendizagem por observação e foi estudado por Bandura. Basicamente, este modelo se baseia na imitação de modelos. Ou seja, é necessária a repetição visual para que ele comece a assimilar o que está sendo mostrado.

Na dança, esse incentivo pode vir do professor, mostrando o movimento repetidamente. Ou até mesmo colegas de classes. Neste caso, é importante separar a classe em grupos de demonstração. De forma que a aula não seja apenas sobre fazer, mas também sobre observar.


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Bottom Up/Top Down

O último modelo de ensino que vamos abordar é o chamado Bottom Up/Top Down. O seu conceito se trata sobre a ascensão de informações ao cérebro e a descendência da ação. Ou seja, é enviando um comando para o cérebro que retorna em forma de ação e movimento.

Levando isso em consideração, a informação da execução de um movimento, por exemplo, seria enviada ao cérebro. E a consequência seria então, a execução do movimento de forma correta. É possível enviar essas informações tanto pela demonstração ao aluno, quanto a manipulação de seu corpo para o movimento correto e orientação verbal.

A utilização de um desses métodos, ou vários em conjuntos irá depender da necessidade do aluno. Que por sua vez, deverá ser identificada por um bom professor. 


Conclusão

O ensino da dança pode ocorrer de diversas formas, com o uso de diversas estratégias e modelos diferentes. O objetivo final, neste caso, é que o aluno consiga a independência, conseguindo realizar movimentos sozinho, sem o auxílio eventual do professor.

Para isso, o próprio professor deverá buscar formas de incentivar o aluno. Para conseguir ultrapassar as dificuldades de ensino, ele poderá utilizar alguns modelos de aprendizagem. Por sua vez, esses modelos deverão ser aplicados em aula após o professor conseguir identificar o ZDP do aluno, ou seja, a zona na qual ele consegue realizar tarefas com assistências. Conseguindo identificar o ZDP e possuindo conhecimento dos modelos de aprendizagem disponíveis, o professor poderá aplicar o modelo mais eficiente para a necessidade de cada aluno. Desta forma a aprendizagem ocorre com mais facilidade. 


COMO FAZER REFERÊNCIA A ESTE ARTIGO:

Lopes, M. C. (2020, abril 23). Dificuldades no ensino da dança: estratégias e formações [Blog]. Recuperado de: https://www.mariacristinalopes.com/dificuldades-no-ensino-da-dan-a--estrat-gias-e-forma--es.html

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Maria Cristina Lopes. Sou formada pela PUC-Rio e mestre pela Universidade de Coimbra. Trabalho com a dança desde 2013 e desenvolvi o 1º curso de psicologia da dança do Brasil em 2016. Sou defensora da área de psicologia da dança, atendo bailarinos, ofereço consultoria para escolas e companhias e capacito professores e psicólogos nesta área promissora.
Contatos: mariacristinalopes@gmail.com | 21 99305 3432 

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maria cristina lopes psicóloga da dança
Maria Cristina Lopes Quando a mente está leve a dança flui Psicologia da dança