Maria Cristina Lopes. Sou formada pela PUC-Rio e mestre pela Universidade de Coimbra. Trabalho com a dança desde 2013 e desenvolvi o 1º curso de psicologia da dança do Brasil em 2016. Sou defensora da área de psicologia da dança, atendo bailarinos, ofereço consultoria para escolas e companhias e capacito professores e psicólogos nesta área promissora.

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A começar pelas sensações: como qualquer atividade física, a dança é responsável por liberar substâncias no corpo que causam um efeito de bem estar e prazer. Mas diferente de um trabalho de musculação, por exemplo, a dança permite movimentos mais expansivos, com propósito e alinhados a uma música, e na maioria das vezes, sem envolver o cansaço e dor intensos resultantes de outras atividades.

No que se refere às emoções, a dança já é uma velha conhecida das terapias complementares que auxiliam na diminuição do estresse e da depressão, ambas intensamente relacionadas à emoções desprazerosas, como tristeza e irritabilidade. E as razões para que ela seja um ótimo antídoto e vacina contra esses males são muitas.

Para citar algumas delas, a dança é um ambiente de intensa socialização e trocas entre pessoas, o que combate o intenso isolamento social que muitas vezes gera ou é provocado por doenças como ansiedade e depressão. Outro ponto é que ela permite a expressão de emoções através do movimento, sendo muitas vezes uma válvula de escape importante para quem não consegue manifestá-las de outra forma.

No aspecto comportamental, a dança também tende a ter uma boa influência na vida das pessoas. O desenvolvimento grupal da atividade, por exemplo, costuma estimular comportamentos sociais adequados, como a competição saudável, por exemplo. Habilidades de trato social também são bem desenvolvidas pela dança, como o trabalho com autistas já comprovou em diversas ocasiões. 

Além disso, ambientes de dança que valorizam a saúde mental do indivíduo costumam ajudar no respeito mútuo. A aceitação do corpo do outro e do seu próprio corpo, bem como o respeito a ambos, são conquistas que podem ser encontradas nesse tipo de espaço. A dança também exige disciplina, esforço e comprometimento. Todos esses bons comportamentos acabam sendo levados de maneira benéfica para outras áreas da vida.

E por fim, os pensamentos. Na psicologia cognitivo-comportamental, eles são considerados a instância mais importante. Embora seja consenso que boas emoções, sensações e comportamentos influenciam para pensamentos melhores, uma boa interpretação da realidade à sua volta é um dos principais caminhos para a manutenção de uma boa saúde mental. E a maior contribuição da dança nesse sentido é a melhora da autoestima.

A autoestima é a interpretação do eu com relação ao mundo. Interpretações exageradas para menos ou para mais nesse sentido podem gerar desde indivíduos extremamente amedrontados e paralisados diante do mundo até os excessivamente confiantes e não esforçados. A dança oferece uma balança de equilíbrio interessante ao proporcionar continuamente desafios muito concretos, mas possíveis, para seus praticantes. Isso quer dizer que, com esforço, eles podem ser superados mais cedo ou mais tarde por qualquer pessoa diante de todos. Isso resulta em um aumento gradual da autoeficácia dos indivíduos, do quanto eles se enxergam como capazes de realizar algo e suficientes em si mesmos. 


Em suma, a dança traz aspectos positivos para todos pilares da nossa saúde mental, também por ser uma atividade de profundo contato consigo mesmo e com seu próprio corpo. Manter uma prática constante resulta naturalmente em melhores sensações e emoções, e auxilia para a manutenção de hábitos saudáveis e uma maior autoestima diante do mundo que nos cerca, qualidades que se retroalimentam para uma vida mais saudável. 

>> Leia também: Saiba como a dança pode ajudar a prevenir e combater a ansiedade.

Psicologia e dança: quatro aspectos psicológicos influenciados positivamente pela dança


REFERÊNCIAS:

Lopes, M.C. (2019). Curso psicologia da dança: temas e perspectivas. Editora Garcia. Juíz de Fora, MG.

COMO FAZER REFERÊNCIA A ESTE ARTIGO: 

Lopes, M. C. (2020, julho 17) Psicologia e dança: quatro aspectos psicológicos influenciados positivamente pela dança [Blog]. Recuperado de: https://www.mariacristinalopes.com/psicologia-e-dan-a--quatro-aspectos-psicol-gicos-influenciados-positivamente-pela-dan-a.html

Gabriela Romão. Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), é especializada em escrita científica. Estuda dança desde 2016, com ênfase em modalidades de dança de salão.

Contatos: gabi.r.romao@gmail.com | @romaogabriela

Maria Cristina Lopes Quando a mente está leve a dança flui Psicologia da dança

A psicologia cognitivo-comportamental, em cima da qual trabalhamos para avaliar os efeitos da dança na saúde global do indivíduo, se baseia em quatro pilares principais, em ordem de importância: pensamentos, comportamentos, emoções e sensações. É sobre esses aspectos psicológicos que o indivíduo se desenvolve, e a partir deles que essa linha de trabalho pode entender e auxiliar as pessoas a promoverem uma saúde mental mais adequada.

As fronteiras que separam cada um desses aspectos são muito tênues, e nem todos são capazes de identificá-los. Além disso, eles influenciam uns aos outros - sensações boas podem levar a bons pensamentos, assim como más interpretações da realidade podem levar a emoções ruins diante dela. São vias de mão dupla, nas quais o indivíduo pode trabalhar para ressignificar a realidade de maneira mais adequada à sua vida.

Ok, mas onde a dança entra nisso? Como uma das poucas atividades realmente completas, a dança permite à maioria dos indivíduos um trabalho específico de cada um desses quatro aspectos, de forma a alcançar um bem-estar mais amplo do que o proporcionado por outras atividades. A dança, em outras palavras, ajuda esse sistema a funcionar harmoniosamente como um só, potencializando positivamente cada uma de suas partes.


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