Gabriela Romão. Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), é especializada em escrita científica. Estuda dança desde 2016, com ênfase em modalidades de dança de salão.

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Maria Cristina Lopes. Sou formada pela PUC-Rio e mestre pela Universidade de Coimbra. Trabalho com a dança desde 2013 e desenvolvi o 1º curso de psicologia da dança do Brasil em 2016. Sou defensora da área de psicologia da dança, atendo bailarinos, ofereço consultoria para escolas e companhias e capacito professores e psicólogos nesta área promissora.

Contatos: mariacristinalopes@gmail.com | 21 99305 3432 

3 - Praticar outras modalidades

Se o dançarino pratica ballet clássico, que faça contemporâneo. Se faz dança de salão, que conheça o ballet clássico. Se é do funk, que tente as danças urbanas. O universo da dança é amplo e oferece uma série de oportunidades para que o bailarino construa sua dança, que é sempre única. Praticar modalidades diferentes da sua é uma ótima forma do dançarino trabalhar a flexibilidade mental, aprendendo novos movimentos e formas de expressão e reajustando habilidades para sua própria modalidade. 

4 - Consumir conteúdos e ter experiências diversas

Por fim, vale lembrar: a flexibilidade mental tem muito a ver com a quantidade e diversidade de estímulos que o indivíduo recebe diariamente. Por isso, o bailarino deve não apenas garantir que receba informações de diversas fontes, mas também estar sempre atento e reflexivo sobre como pode aplicar cada conhecimento e informação à sua própria realidade.


Conclusões valiosas podem surgir da leitura de um livro, de uma boa conversa com os amigos, de um curso em outra área de atuação ou até de uma ida ao cinema para ver um filme. Garantir que a vida seja mais plural como um todo não só colabora para a saúde mental do bailarino, como também cria condições para que ele seja mais criativo e produtivo em seu dia a dia. 

A flexibilidade cognitiva é um termo que conta com muitas definições na literatura, frequentemente relacionadas à inteligência e à criatividade. A definição de Guerra, Candeias e Pietro (2014), por exemplo, considera a flexibilidade cognitiva como uma função executiva mental que influencia na forma como o conhecimento é recepcionado, representado, reestruturado e aplicado nas respostas aos estímulos do ambiente. De maneira geral e mais simples, podemos considerar que a flexibilidade mental tem a ver com a forma como o indivíduo recebe e interpreta os estímulos, e a forma como aplica seus conhecimentos sobre a realidade em que vive.

Se a flexibilidade mental é uma função executiva do cérebro, o primeiro ponto a ser considerado é que todos nós a temos. Porém, tal como os músculos, que necessitam de exercícios para se desenvolver, a flexibilidade mental também precisa ser exercitada. É isso o que torna o indivíduo capaz de, por exemplo, estar mais aberto a novos conhecimentos, analisar mais de um ponto de vista de uma situação, construir planos de ação diante de problemas ou mesmo transferir conhecimentos de uma área da vida para outra. Trabalhar a flexibilidade mental faz parte da plasticidade cerebral, da capacidade que o nosso cérebro tem de mudar e se otimizar para realizar tarefas ou processar informações.


>> Leia também: Consciência corporal e expressão: por que a dança deve ser ensinada às crianças ainda na escola

REFERÊNCIAS:

Guerra, C.G.; Candeias, A.; Pietro, G.(2014). Flexibilidade cognitiva: repensar o conceito e a medida da inteligência. In Cognição, Aprendizagem e Rendimento - I Seminário Internacional, p. 6-20

COMO FAZER REFERÊNCIA A ESTE ARTIGO: 

Lopes, M. C. (2021, março 30) Flexibilidade mental da dança: entenda como exercitá-la e por que isso pode fazer você dançar melhor​ [Blog]. Recuperado de: https://www.mariacristinalopes.com/flexibilidade-mental-da-dan-a--entenda-como-exercit--la-e-por-que-isso-pode-fazer-voc--dan-ar-melhor.html

E por que isso é tão importante para a dança? Em primeiro lugar, para a criatividade: sem uma flexibilidade mental acurada, seria difícil para um bailarino criar novas ideias a partir de suas vivências, sejam elas na dança ou não. O que chamamos de inspiração nada mais é do que nosso cérebro trabalhando para processar, reorganizar e integrar informações em um novo contexto. Em segundo lugar, para o aprendizado: achar uma nova forma de fazer um passo ou mudar a forma de estudo quando um movimento “não sai” pode ser valioso e poupar horas de frustração ao dançarino. E em terceiro lugar, para a sua própria mente: conhecer histórias e se conectar com outros pontos de vista é um ponto-chave para combater preconceitos ou simplesmente para o bailarino sair do mundo fechado de suas próprias opiniões.

Esses são só alguns exemplos de como exercitar a flexibilidade mental pode impactar positivamente o desempenho do indivíduo na dança. A própria atividade em si é excelente para trabalhar a flexibilidade mental. Ao integrar mente, corpo e relações sociais em experiências globais, a dança se encaixa perfeitamente à característica mais intrínseca de qualquer ser humano: somos seres biopsicossociais, que experimentam o mundo de forma integrada e evoluem conforme suas experiências os modificam continuamente.

A seguir, indicamos algumas práticas que podem ajudar dançarinos a exercitarem ainda mais a sua flexibilidade mental. Vamos conferir?


1 - Estar sempre aberto a novas oportunidades

É comum o dançarino se acomodar em uma certa “zona de conforto” com relação à sua rotina e habilidades. Para desenvolver a flexibilidade mental, é importante que ele tome o caminho oposto: estar sempre aberto a oportunidades de aprender. Um bom exemplo é se propor a criar novas coreografias, seja individualmente ou em grupo; é um ótimo exercício de criatividade, que obriga a mente a buscar novos caminhos, usos e interpretações de seu próprio conhecimento. 

Participar de novos grupos e frequentar vários eventos e lugares diferentes no universo da dança, topar desafios para se apresentar, assistir a vídeos, ver entrevistas de grandes ídolos, enfim, tudo se abre como novas oportunidades que devem ser aproveitadas pelo bailarino na dança.

2 - Pedir ajuda

Tentar resolver problemas ou dificuldades sozinho pode ser não só mais demorado, mas também muito pouco produtivo para o desenvolvimento da flexibilidade mental do indivíduo. Ter pluralidade de opiniões sobre uma situação ou mesmo conversar sobre ela já ajuda a reavaliá-la por outros ângulos e construir novas respostas diante da realidade que se estabelece diante de si. 

Além disso, manter uma rede de apoio já se provou extremamente benéfico para o bem-estar dos dançarinos do ponto de vista emocional, o que é só mais uma razão para não tentar lidar com tudo sozinho.

Flexibilidade mental da dança: entenda como exercitá-la e por que isso pode fazer você dançar melhor

Maria Cristina Lopes Quando a mente está leve a dança flui Psicologia da dança